domingo, maio 31, 2015

Inter jogou no 4-4-2 contra o Santa Fé?

Não posso afirmar que "toda" a imprensa tenha dito que o Inter entrou em campo no 4-4-2 contra o Santa Fé, no jogo de volta das quarta-de-final da Libertadores. Porém, todos os que escutei no rádio, em pelo menos duas emissoras (Gaúcha e Gre-Nal), entenderam que Aguirre deixou o 4-2-3-1 de lado. Alguns até podem ter se referido ao segundo tempo, mas compreendi que falavam do jogo todo, iludidos pela escalação de Lisandro López. Erro recorrente de quem analisa futebol mais pela escalação e posição de origem dos jogadores do que pelo que se vê em campo.

Sabemos que Licha López é atacante, mas seu posicionamento em campo e a função executada é que mostram qual o esquema tático usado. No primeiro tempo, Lisandro jogou na posição que vinha sendo ocupada por D'Alessandro, no centro da linha de três meia-atacantes, com D'Ale deslocado para a direita. Isso ficou tão claro para mim, desde a arquibancada, que fiquei muito surpreso com tantos jornalistas afirmando que era um 4-4-2. Até gente que realmente entende e enxerga jogo, como Fernando Carvalho (Rádio Gaúcha) e André Rocha (do ótimo blog Olho Tático), embarcaram nessa. O primeiro, afirmou que Nilmar jogou por trás de Lisandro, quando foi exatamente o contrário. O segundo postou em seu ótimo blog apenas a tática do segundo tempo, como se tivesse sido do jogo todo.

Ver um jogo no estádio é completamente diferente de vê-lo pela TV. Além de não ter replay, de acordo com o local onde está você não entende bem o que se passa em algumas partes do campo. Porém, enxerga o que está próximo de você com muito mais clareza do que na TV, sem falar que fica com os 22 jogadores no campo de visão, podendo analisar melhor alguns detalhes da tática e da movimentação dos jogadores. Contra o Santa Fé, por exemplo, fiquei "meio de quina", no lado em que o Inter atacou o primeiro tempo. Por isso a distribuição tática do ataque me foi tão clara. Depois, vendo a gravação do jogo pela TV, apenas confirmei o que já vira ao vivo.

As três primeiras imagens mostram o 4-2-3-1 no apito inicio, no início e no final do primeiro tempo, numa pequena amostragem do que foi o tempo todo durante os primeiros 45', com ou sem a bola. Quem quiser ver o VT, vai notar essa disposição em qualquer momento do jogo, menos quando Sasha ficou em campo mancando, pois daí ficou junto com Nilmar e Lisandro veio formar uma linha de 4 pela esquerda.
 


A seguir, Lisandro é visto dando combate ao avanço de Seijas, vértice esquerdo do losango de meio-campo do Santa Fé, enquanto Willian cuida de Mosquera, abandonado por D'Alessandro.

As próximas duas imagens, mostram Lisandro com a bola, bastante recuado, bem atrás de Nilmar. Jogando assim tão baixo, e centralizado, foi bastante acionado na transição de jogo do Inter, quase como um pivô. O quanto isso é uma exigência compatível com as características de Lisandro?



Claro que a movimentação dos jogadores é mais flexível que seu posicionamento tático no papel. Assim como vimos D'Alessandro fazer nos últimos jogos, por vezes Lisandro correu para o lado de Nilmar em situações em que uma pressão na saída poderia ter representado retomada de posse. A imagem abaixo mostra um pique do "Licha", desde sua posição na linha de três até o zagueiro que estava recebendo o passe.

A mudança de postura que vimos no segundo tempo não foi só uma fala motivadora no vestiário. A partir do intervalo, sim, passamos a jogar no 4-4-2, com duas perfeitas linhas de 4 sem a bola (como mostra a imagem abaixo) e com os laterais e Aránguiz subindo mais quando estávamos com a posse de bola, deixando Dourado e a dupla de zaga na proteção. Nossa dupla de ataque começou com Lisandro e Nilmar, depois passou a Lisandro e Valdívia (com Alex no meio), finalmente com Lisandro e Rafael Moura (Alex na lateral e Valdívia de volta ao meio).


Mas é interessante como outra coisa que vi claramente no estádio, não consegui enxergar tão bem na TV. Assim, não posso criticar os comentaristas por não terem notado o problema que foi D'Alessandro tendo que marcar pelo lado direito. Mas por inúmeras vezes, no primeiro tempo, Mosquera ficou livre. D'Ale insistemente pedia para Willian se adiantar e pegá-lo, para que não precisasse se deslocar tanto par ao lado e para trás. Mas isso não ocorria, porque nosso lateral precisava compor a linha de 4 zagueiros orientada para bloquear Morelo, Páez e um dos meias, enquanto Aránguiz e Dourado seguravam os outros dois e Lisandro cuidava do volante central. Numas das vezes em que D'Ale não quis recuar, ele mandou, aos berros e dedo apontado, Nilmar fechar o lado direito. Por sorte, Mosquera foi pouco acionado, e o problema não nos impactou. Mas, se Aguirre mantiver essa formação tática, com D'Ale pelo lado, como fazia Abel, e como ele mesmo iniciou o ano, estou certo de que em algumas partidas teremos graves problemas defensivos por ali. Ou, se D'Ale precisar se concentrar nessa tarefa defensiva, teremos nosso craque mais distante do ataque e sem fôlego mais cedo. Passo a bola para Aguirre resolver esssa.

Libertadores 2015: Inter x Santa Fé 2-0

Inter x Santa Fé 2-0 (agregado 2-1)
Libertadores 2015
Quartas-de-final
Beira-Rio
27 de maio de 105

Resumo:
O técnico uruguaio mandou o Inter a campo no seu já tradicional 4-2-3-1, mas com Lisandro no centro e D'Ale pela direita na linha de 3 meia-atacantes. A preferência por Lisandro ao invés de Valdívia pode ter sido pela intenção de manter pelo jogo todo pelo menos um jogador de lado de campo em condições físicas para suportar o intenso ritmo do jogo colorado, o que foi quebrado com a prematura saída de Sasha por lesão. Com o gol marcado bem cedo, imaginava-se que o Inter pressionaria fortemente em busca do segundo. Porém, o Inter não conseguia completar jogadas perigosas e aos poucos foi perdendo o controle da posse de bola e a partir da metade do primeiro tempo relembrou o segundo tempo da final do gauchão e os momentos em que foi pressionado pelo Atlético MG. O cabeceio de Juan que deu o gol aos 2' acabou ficando com a única finalização em gol em todo o primeiro tempo. Por outro lado, mesmo com 51% de posse de bola, os colombianos não levaram perigo, fechando com zero finalizações a primeira etapa. No segundo tempo, o Inter voltou a campo com Lisandro na frente, ao lado de Nilmar, e um posicionamento mais adiantado dos laterais e de  Aránguiz. Assim, conseguiu pressionar o Santa Fé sem correr riscos, criar várias chances de gol, obter mais de 10 escanteios e provocar cartões amarelos e duas expulsões, numa pressão insuportável que só poderia resultar em gol. Ainda que contra, e de um escanteio mal marcado.


Inter no 4-2-3-1:
22 Alisson 6 - errou perigosamente a saída de bola por duas vezes, mas foi muito seguro nas bolas altas
 6 Willian 7 - alguns erros no início do jogo compensados por muita marcação, roubadas de bola e constante opção de jogadas, especialmente com D'Alessandro, no segundo tempo.
14 Ernando 6,5 - um único erro de posicionamento em todo o jogo
 4 Juan 8 - fez o primeiro gol e deu um show de posicionamento, antecipação e desarmes
24 Geferson 6 - um pouco inseguro no primeiro tempo e com dificuldade técnica no apoio, cresceu na etapa complementar tanto na defesa quanto especialmente no apoio
13 Rodrigo Dourado 7 - jogador de um ou toques na bola, recuperou e interceptou uma infinidade de bolas na grama e no ar.
20 Aránguiz 6,5 - bem mais discreto do que nas últimas partidas, errou alguns passes, mas ajudou muito na marcação e foi importante para velocidade do jogo da meia-cancha no segundo tempo.
10 D'Alessandro 7,5 - sua volta ao lado direito do campo lhe trouxe tanto mais dificuldades na fase defensiva quanto possibilidades de investir a dribles contra o lado esquerdo colombiano; foi muito bem na bola parada e o principal finalizador da partida
17 Lisandro López 6,5 - impressionou muito mais pela movimentação, passes e garra do que pelo acabamento das jogadas, até por ter jogado o primeiro tempo como meio-campista; no segundo, jogou na sua, mas perdeu incrivelmente o que seria o terceiro gol; de uma investida sua nasceu o escanteio do gol da vitória;
 9 Eduardo Sasha 6,5 -  mesmo jogando apenas 10', pois saiu machucado após ter o tornozelo violentamente atingido por Anchico, começou muito bem e participou decisivamente do lance do primeiro gol.
 7 Nilmar 6,5 - voluntarioso no primeiro tempo, cresceu no segundo e provocou a expulsão de Mosquera; uma pena que se machucou no lance e teve de sair, justamente quando crescia na partida.

substitutos:
29 Valdívia -9 7 - desta vez não teve sucesso nas finalizações, mas seu jogo sempre vertical e impetuoso provocou a  chuva de cartões amarelos que resultou em duas decisivas expulsões
12 Alex -7 5,5 - substituiu Nilmar, machucado, errou alguns passes e não se encaixou no jogo, com visível queda de rendimento do time; após a entrada de Rafael Moura, passou para a lateral-esquerda e não comprometeu
11 Rafael Moura -24 6 - jogou 10 minutos e foi brigador, embora não tenha conseguido finalizar; o segundo gol, que parecia ter sido de uma cabeçada sua, na verdade foi contra, de Mina.

treinador:
Diego Aguirre 8 - Mudou o esquema e a postura do Inter no intervalo, acertou na única substituição voluntária e obteve um grande resultado em um jogo no qual o perigoso adversário não conseguiu finalizar nenhuma vez.

sábado, maio 23, 2015

Inter no Brasileirão 2015 - rodadas 02 e 03: Inter x Avaí 1-0; Vasco x Inter 1-1

INTER x AVAÍ 1-0
Beira-Rio
16-5-2015

gol: Vitinho

Inter no 4-2-3-1:
30 Muriel 5,5
 2 Leo 5,5
25 Paulão 6,5
 3 Réver 5,5
16 Alan Ruschel 6,5
 5 Nico Freitas 5,5
 8 Anderson 6,5
28 Taiberson 5
12 Alex 5,5
18 Luque 4
11 Rafael Moura 5

subs:


21 Vitinho -11 6,5
27 Alisson Farias -18 6
39 Eduardo s.n.



VASCO x INTER1-1
São Januário
23-5-2015

gol: Nilmar

Inter no 4-2-3-1:
30 Muriel 6
40 Lucas Marques 5
25 Paulão 6
 3 Réver 5,5
24 Geferson 5,5
 5 Nico Freitas 6
19 Nilton 6
12 Alex 5,5
 8 Anderson 6


16 Alan Ruschel 4,5

 7 Nilmar 6,5
subs:
28 Taiberson -24 5,5
21 Vitinho -7 5
39 Eduardo -40 5,5

Jogo equilibrado no primeiro tempo, com três chances claras de gol para o Inter e duas para o Vasco. Melhor para o Inter, que aproveitou um dos dois ótimos cruzamentos de Nilton para Nilmar no final do primeiro tempo. O volante, no entanto, errou demais na sua função principal, no centro do campo. A destacar a lesão de Geferson no ombro, que obrigou Aguirre a mandar Taiberson em campo e recuar Alan Ruschel para lateral. Embora lógica, essa alteração veio a ter reflexo no placar: aos 22' do segundo tempo, o já amarelado Ruschel vai expulso por desnecessariamente por meter a mão na cabeça de um atacante vascaíno em lance de marcação. Somente a partir daí o Vasco conseguiu pressionar o Inter e, mesmo assim, criou muito pouco, vindo a marcar em lance de escanteio. Empate com reservas, fora de casa, não é ruim, mas o sabor amargo dos dois pontos perdidos sobrepôs-se ao gosto do ponto ganho.

domingo, maio 17, 2015

Figueirense no Brasileirão 2015 - Rodada 02: Figueirense x Vasco 0-0

Pelo menos para quem estava no estádio, foi um daqueles "bons" 0x0, movimentado, com várias chances de gol, embora tecnicamente sem brilho. Jogo mais aberto no primeiro tempo, com Vasco superior, mas chances de ambos os lados e destaques para defesas dos goleiros. Segundo tempo todo do Figueirense, com várias situações de gol que não se confirmaram por falta de um pouco mais de qualidade técnica dos seus atacantes. Além disso, faz falta ao Figueira uma meia-cancha mais parecida com a do ano passado, que além de marcar, tinha produção de jogo e certa criatividade, além de opções no banco.

Figueirense (4-1-3-2): Alex Muralha 7, Leandro Silva 6, Marquinhos 5, Thiago Heleno 6 e Cereceda 5,5; Paulo Roberto 6,5; Fabinho 6, Yago 5 (Mazola 5) e Marquinhos Pedroso 6,5; Everaldo 5,5 (Marcão 5) e Cleiton 6,5 (Dudu 6).

segunda-feira, maio 11, 2015

Inter no Brasileirão 2015 - rodada 01: Atlético PR x Inter 3-0

Sem Nico (suspenso), Nilton (depto médico) e o time principal poupado para a Libertadores, Aguirre usou um misto de segundo com terceiro time na Arena da Baixada (ver observação). Contrariamente ao que o placar faz pensar, não houve um domínio atleticano, que aproveitou bem a única chance que teve no início do jogo. Até por estar atrás no placar, Inter teve mais volume de jogo em quase toda a partida: 56%  posse de bola, 11 escanteios contra 2, 15 finalizações contra 10, três bolas na trave e 22 cruzamentos contra 12 (6 certos contra 2). Há ainda de se considerar que o segundo gol nasceu de um pênalti bobo em lance isolado e sem nenhum perigo, e o terceiro de uma dupla lambança de Paulão, que primeiro comprometeu a linha de impedimento e depois fez um "golaço" contra tentando alopradamente cortar um cruzamento. Assim, em que pese uma má partida decorrente principalmente da falta de entrosamento e da péssima atuação de alguns jogadores, ainda que com o desconto de um gramado em má condições, esse mesmo time tinha total condições de ter obtido melhor resultado contra o fraco e Walter-dependente Furacão. Não contesto a escolha por poupar. Teríamos tido maior probabilidade de vitória com alguns titulares, como ficou claro após o slato de rendimento com as entradas de Valdívia e Alex. Mas, até aqui o rodízio vem funcionando e não é por uma partida carregada de lances circunstanciais que devemos desacreditar a decisão do treinador.

Alisson 6
Léo 5
Paulão 3
Réver 5,5
Alan Ruschel 6
---------------
Silva 6
Cláudio Winck 4
---------------
Taiberson 5,5
Anderson 5
Vitinho 4
---------------
Rafael Moura 5,5

Alex (por Léo) 6
Valdívia (por Vitinho) 6,5
Alisson Farias (por C. Winck) 6

Observação:
Formações do Inter atualmente, na provável concepção de Aguirre, sem repetir jogadores:

Time A: Alisson, William, Ernando, Juan, Geferson; Dourado, Aránguiz; Sasha, D'Alessandro, Jorge Henrique; Nilmar
Time B: Muriel, Léo, Alan Costa, Réver, Alan Ruschel; Nico Freitas, Nilton; Valdívia, Alex, Taiberson; Lisandro
Time C: incompleto com Dida, Claudio Winck, Paulão, Silva, Anderson, Luque, Vitinho e Rafael Moura.

Portanto, contra o Atlético tivemos o goleiro titular, 4 reservas imediatos e 6 terceiras opções. Mesmo no Gauchão, poucas foram as partidas com "terceiro time"



quinta-feira, abril 16, 2015

La U x Inter: análise prévia

  • O grupo escolhido para a viagem a Santiago:
    • Imprensa, em tom de corneta, destaca que três importantes reforços contratados para 2015 ficaram em Porto Alegre: Nilton, Vitinho e Anderson. Embora eu preferisse Vitinho a Luque, acho que Aguirre não pode ser criticado via chavões e sofismas desse tipo. 
    • Guerrinha e Wianey não entendem como Nilton, "o melhor em campo contra o Brasil", não foi escolhido. Em primeiro lugar, não acho que Nílton tenha jogado algo mais do que uma discreta e comum nota 6, que é o máximo que conseguiu em todo o ano. E, ainda, deve-se considerar que jogamos com um time reserva, contra um adversário limitado e nem sequer ganhamos. Taticamente falando, Aguirre já deu mostras que concorda com a avaliação da maior parte da imprensa e torcida de que Nilton é segundo e não primeiro volante. Pois bem, Nico é o reserva de Dourado e Nilton seria de Aránguiz. Mas, nesse caso, uma eventual lesão ou má partida do chileno pode ser remediada atrasando Jorge Henrique. Cabe lembrar que o banco não é infinito na Libertadores e o treinador precisa fazer escolhas. 
    • Vitinho fez uma grande estreia do ponto de vista técnico e depois não mais se confirmou. É possível que seu momento de ostracismo seja um gelo por comportamento, mas independentemente disso, mesmo em sua grande estreia já ficou evidente que até Luque consegue fazer melhor a fase defensiva que exige a posição de "winger" do 4-2-3-1.
    • Finalmente, embora eu tenha esperança que Anderson ainda vá se tornar em grande figura do Inter, é inegável que o futebol apresentado até aqui é irregular e, na média, abaixo do exigido para tirar lugar de D'Alessandro, Sasha, Jorge Henrique, Aránguiz, Alex ou até mesmo do peladeiro mas promissor Valdívia.
  • Jorge Henrique:
    •  Nunca me associei às críticas mais ferozes contra esse jogador, que me encheu os olhos quando jogava no Santa Cruz, teve ótimo desempenho no Botafogo e foi figura importante num Corinthians vencedor. Teve uma fase ruim no Inter, tida como consequência de comportamentos pouco profissionais, mas superou. Começou a vida como atacante e foi se transformando num jogador polivalente e taticamente muito dúctil. Características que fazem nossa imprensa cair constantemente em contradição. Quando o futebol brasileiro perde, ouvimos e lemos odes ao futebol moderno dos europeus, com jogadores multifuncionais e treinadores experts em tática. Mas, quando é com Jorge Henrique, o que lemos e ouvimos é mais um chavão: "jogador que joga em todas, não joga em nenhuma". Jorge Henrique pode não ser craque, pode até não ter nível para ser titular num time ideal, mas na comparação com outros volantes que temos, dá muito mais qualidade e velocidade na saída de bola, tem uma boa finalização e não marca menos. Pra marcar bem não precisa ser grande, ruim de passe e dar carrinhos. Até porque a maioria dos carrinhos dados por jogadores grandes, toscos e tidos por grandes marcadores são dados no ar ou nas pernas do adversário, por falta de velocidade, agilidade, inteligência ou posicionamento. Marcação é posicionamento. E isso o bom jogador pode ter mais, menos ou igual a qualquer "volantão".
  • Esquema tático:
    • Aguirre iniciou o ano com o 4-2-3-1 que Abel havia deixado debaixo de críticas, experimentou o 4-1-4-1, passou rapidamente pelo 4-4-2, testou e abandonou o 3-5-2 e parece ter regressado definitivamente ao 4-2-3-1. Embora em minha análise o que melhor funcionou foi o 4-4-2 e que, na ausência de laterais direitos de origem, talvez devêssemos estar a 30 dias treinando no 3-5-2,  ninguém melhor do que o treinador para entender qual é o melhor esquema. Especialmente porque, o esquema não depende somente dos seus jogadores, mas também de como o adversário se apresenta. Nesse aspecto não posso falar muito, pois não estudei a Universidad de Chile. 
    • Mas posso fazer algumas considerações sobre a escolha pela ótica única do próprio time. Se por um lado não temos lateral direito e o esquerdo, embora seja uma boa promessa, falhou grosseiramente na defesa nas duas última partidas, por outro é sabido que nossos zagueiros não são adequados para o 3-5-2. Talvez isso tenha ficado escancarado para Aguirre em suas experiências nesse sistema. Defendo o 4-4-2 por ser mais simples, pela compactação defensiva dada pelas famosas "duas linhas de 4" e por ser facilmente transformável num 4-3-3 ou num brasileiríssimo 4-2-2-2, sem troca de jogadores. No caso específico do Inter, uma formação com D'Ale, Aranguiz, Dourado e Jorge Henrique daria, como maior ganho, a aproximação de Sasha a Nilmar. Evidentemente que sempre há um ponto fraco que, neste caso, seria a necessidade de D'Ale ter que recuar aberto pela direita para compor uma linha junto dos chamados volantes.
    • Para o jogo de hoje, imprensa informou que Inter treinou no 4-2-3-1, com Jorge Henrique jogou pela e Sasha pela direita, com D'Ale centralizado. Isso é interessante porque mantém D'Ale menos preocupada com recomposição defensiva e numa zona do campo onde pode ser mais decisivo, mas pode-se perder a aproximação de Sasha a Nilmar. Porém, como percebi em outras partidas, como contra Emelec no Beira-Rio, pode ser que haja uma rotação de jogadores nas transições. No caso de hoje, isso seria feito com Sasha emparelhando com Nilmar na frente, Aránguiz entrando pela direita e Jorge Henrique retornando à posição de volante pelo lado esquerdo, ao lado de Dourado, com a passagem de Géferson. 
    • O que escrevo pode estar total ou parcialmente errado se a escolha de Sasha pela direita estiver relacionada mais às fragilidades defensivas ou méritos ofensivos de jogadores e setores do adversário, claro.
  • Sasha:
    • Ao contrário de comentaristas que dizem que Sasha rende mais pela esquerda, acho que o lado é indiferente para ele. No Goiás de 2013, Sasha foi grande figura jogando como atacante ou mesmo ala do 3-5-2 justamente pela direita. Em alguns jogos do Inter neste ano, ele foi importante em cruzamentos desde a direita. Além disso, se a ideia de Aguirre for a de formar um tandem de ataque quando o Inter tiver a posse de bola, o lado do campo fará ainda menos diferença.
  • Visão geral:
    • Acho que a escalação é a melhor que temos, considerando que Réver não esteja em boa forma e que Alex seja mesmo apenas e tão somente o vice (e que vice!) D'Alessandro. Tenho dúvidas quanto ao rendimento de Aránguiz, um grande jogador em fase ruim e há tempos fora por convocação ou lesão, justo na posição em que Jorge Henrique já me mostrou que pode executar muito bem. Entretanto, o chileno estará em casa e certamente será o menos propenso a sentir o ambiente. Vale a aposta. Meus temores são mais pela nossa defesa, que tem quatro jogadores com avaliação técnica ainda insuficiente em 2015, dentro de uma mecânica de jogo pouco azeitada e num sistema tático ainda não consolidado. Pelo que diz a imprensa chilena, La U cresceu muito de rendimento nestes 30 dias, prometendo criar muito mais dificuldades ao Inter do que no jogo de Porto Alegre.

domingo, julho 20, 2014

Brasileirão 2014 - 10ª rodada: Corinthians x Inter 2-1

CORINTHIANS x INTER 2-1
Brasileirão 2014
10ª rodada
17 jul 14, Arena Corinthians
gols: Guerrero 6', Fagner 9', Cláudio Winck 90'


Inter começou bem, com Rafael Moura perdendo boa oportunidade após passe de Alan Patrick às costas da linha de zagueiros. Mas dois erros defensivos do Inter em três minutos deram ao bom time do Corinthians uma vantagem que lhe permitiu jogar com cautela o restante da partida. Inter melhorou bastante quando João Afonso foi sacado por volta dos 30' ainda do primeiro tempo. Abel alegou que o jovem volante estava arriscado a levar um segundo amarelo, mas a verdade é jogava muito mal. Claudio Winck deu mais volume ao jogo colorado Apesar de ter errado várias jogadas, taticamente Claudio Winck foi o jogador que melhor substituiu Aránguiz até o momento. No segundo tempo, Abel deslocou D'Ale para a direita e Alan Patrick para o centro, com ambos crescendo de produção. O Inter dominou amplamente a posse de bola, pressionou o Corinthians e concedeu muito pouco. Apenas um cabeceio de Luciano para fora, às costas de Paulão, após cruzamento da direita, foi digno de registro no ataque alvinegro.  Apesar disso, o Inter criou poucas oportunidades claras, como a cabeceada de Valdivia - que entrara pela esquerda no lugar de Jorge Henrique - defendida por Cássio e pelo travessão, após ótimo cruzamento de D'Alessandro. Mesmo que o recuo Corinthiano se explique em boa medida pela vantagem no placar, o Inter colocou a defesa paulistana em constante dificuldade, inclusive com uma mal aproveitada superioridade  no jogo aéreo. Mas o gol saiu apenas os 45', em cruzamento de Wellington Silva - péssimo no restante do jogo - para Cláudio Winck cabecear no canto de Cássio.
Figura 1 - Primeiro gol do Corinthians: origem.
No primeiro quadro da figura 1 pode-se observar as linhas de marcação do 4-1-4 colorado (em amarelo) contra o 4-3-3 corinthiano (linhas laranjas) no início do lance do primeiro gol. D'Alessandro aparece fora da linha normal (tracejada), posicionado mais como um segundo atacante, talvez por conta do posicionamento baixo de Ralf. De todo modo, 4 jogadores ficaram alinhados (linha cheia) para, em tese, ocupar o espaço que poderia ser usados pelos outros dois meias e pelos laterais. Nota-se João Afonso próximo a Petros (não confundir com o árbitro, ao lado do colorado), Jorge Henrique sobre Fábio Santos, mas Willians e Alan Patrick não seguem de perto nenhum jogador. Atrás deles, a primeira linha defensiva do Inter  está posicionada corretamente para marcar os três atacantes corintianos, ficando um na sobra. Elias é quem está com a bola, mas como está bastante recuado, não aparece no quadro. Sem estar pressionado e vendo que Fagner avança às costas de Alan Patrick - que deveria ocupar aquele espaço, Elias estica a bola para o lateral e isso faz com que a primeira linha do Inter se desarrume (quadro 2). O terceiro quadro mostra Fabrício saindo da linha e atacando o lateral e Juan tomando sua posição, para cuidar de Luciano. Fabrício não chegará a tempo de evitar o passe de Fagner para Luciano mas até ali era um movimento correto de cobertura. Na figura 2, abaixo, o quadro 4 mostra que Willians não completa esse movimento de troca de marcadores e ao invés de acompanhar Jadson, corre na direção de Luciano para um improvável desarme. Willlians não chega, Juan erra o bote e Luciano se desvencilha dos dois, passando a bola para Jadson, livre Paulão e as costas do desatento camisa 8. O quadro 5 mostra o Inter perdendo a sobra, com Paulão contra dois correndo em sua direção, Fabrício marcando o avanço de Fagner pela direita e Wellington Silva cuidando de Guerreiro pelo outro lado. O erro fatal se escancara no quadro 6: Wellington Silva inexplicavelmente se esquece de Guerreiro, e corre em diagonal mais para o centro. Sem que Paulão pudesse ter feito a sobra, o atacante Peruano fica livre para receber a bola (quadro 7) e abrir o marcador. Em resumo, foram necessários quatro erros para que o gol saísse: 1) mau posicionamento de Alan Patrick, que nem pressionou Elias, nem acompanhou Fagner, 2) desatenção de Willians, 3) bote errado de Juan, 4) movimento errado de Wellington Silva.

Figura 2 - Primeiro gol do Corinthians: desenvolvimento e desfecho.
Poucos minutos depois, sai o segundo em gol em novo erro grosseiro de marcação, desta vez com Fabrício, como mostra a figura 3. 1) Fagner recebe bom lançamento de Jadson, que estava livre da região do grande círculo, atrás da linha divisória, logo após recuperação de bola em ataque colorado mal sucedido. 2) Fabrício corre atrás de Fagner e tenta o desarme, sem sucesso; Wellington Silva está muito longe de Luciano, Paulão e Juan acompanham Guerrero e Petros e o Inter novamente está sem sobra. 3) Fagner passa para Luciano na esquerda, Wellington Silva se vira, escorrega, e não consegue interceder no lance. 4) Luciano passa para Guerrero, que corria do centro para a esquerda, fugindo de Paulão. 5) Em vez de seguir Fagner, Fabrício corre para o centro,  quase se chocando com Juan e deixando o lateral completamente livre; 6) Fagner levanta o braço pedindo a bola, enquanto Guerrero se coordena para finalizar em gol antes que Paulão consiga fechar o espaço. Na figura 4, a tentativa de chute do atacante se transforma em passe involuntário para Fagner chutar cruzado e ampliar o placar.
Figura 3 - Jogada do segundo gol do Corinthians.
  
Figura 4 - Conclusão da jogada do segundo gol do Corinthians.


Dida 6
Wellignton Silva 5 (Wellington P. s/n.)  - Paulão 6 - Juan 5,5 - Fabrício 5
Willians 5
J. Henrique 5,5 (Valdivia 5,5) - D'Alessandro 7 - J. Afonso 4,5 (C. Winck 6,5) - Alan Patrick 6
Rafael Moura 5

terça-feira, maio 06, 2014

Copa 2014: elencos provaveis

Uma vez que nesta terça, 7 de maio, os treinadores das 32 seleções divulgarão seus elencos provisórios para a Copa, publico aqui o meu palpite sobre cada elenco. Titulares em negrito, reservas em fonte menor. Onde havia dúvida, coloquei alternativas, com os nomes separados por barra.
















segunda-feira, julho 01, 2013

Copa das Confederações 2013: Seleção

Minha seleção do torneio, no 4-3-3:


go: JULIO CESAR (BRA)
ld: MAXI PEREIRA (URU)
za: SERGIO RAMOS (ESP)
za: DAVID LUIZ (BRA)
le: MARCELO (BRA)
mc: PAULINHO (BRA)
mc: DE ROSSI (ITA)
mc: INIESTA (ESP)
ad: CAVANI (URU)
ac: FRED (BRA)
ae: NEYMAR  (BRA)

domingo, junho 30, 2013

Copa das Confederações - Resultado do Palpitão


GRUPO A
BRA x JPN 3-0 (palpite 1-1)
MEX x ITA 2-1 (1-1)
BRA x MEX 2-0 (2-0)
ITA x JPN 1-0 (4-3)
BRA x ITA 2-1 (4-2)
JPN x MEX 2-1 (1-2)

1° BRA 7 p
2° ITA 4
3° JPN 4
4° MEX 1
classificados certos
ordem de classificação com 3° e 4° trocados
pontuação errada

GRUPO B
ESP x URU 2-1 (palpite 1-0)
TAH x NGA 1-6 (0-3)
ESP x TAH 10-0 (6-0)
NGA x URU 1-2 (1-2)
NGA x ESP 0-3 (0-2)
URU x TAH 8-0 (3-0)

1° ESP 9 p
2° URU 6
3° NGA 3
4° TAH 0
classificação e pontuação exatas


SEMIFINAIS
BRA x URU 2-1 (2-1) 3
ESP x ITA 0*-0 (1-0) 1
vencedores corretos

FINAL
BRA x ESP 3-0 (0-1) 0 
vencedor errado

pontuação: 19 em 45 possíveis
resultados: 10 corretos em 15 jogos
placares: 3 exatos em 15 jogos

sexta-feira, junho 14, 2013

Copa das Confederações 2013 - Palpitão

GRUPO A
BRA x JPN 1-1
MEX x ITA 1-1
BRA x MEX 2-0
ITA x JPN 1-0
BRA x ITA 2-1
JPN x MEX 2-1

1° BRA 7 p
2° ITA 4
3° JPN 4
4° MEX 1


GRUPO B
ESP x URU 1-0
TAH x NGA 0-3
ESP x TAH 6-0
NGA x URU 1-2
NGA x ESP 0-2
URU x TAH 3-0

1° ESP 9 p
2° URU 6
3° NGA 3
4° TAH 0

SEMIFINAIS

BRA x URU 2-1
ESP x ITA 1-0

FINAL
BRA x ESP 0-1

Copa das Confederações 2013 - análise preliminar

Em poucas palavras, o que penso de cada seleção:

BRASIL
Que a Seleção não está bem e não inspira grandes expectativas, todo mundo está vendo e não preciso comentar. Mesmo assim, alguns motivos me levam a crer que o nosso desempenho pode ser melhor do que sugere a série de amistosos de 2012-2013:
  • Jogamos em casa e isso tem efeito psicológico, ainda que nossa torcida seja muito corneteira e, no caso específico de seleção, não saiba gritar ou cantar nada mais do que aquele batido "Bra-sil". 
  • Nos últimos 30 anos, a Canarinho têm se caracterizado por não vencer quando o time parece estar "no ponto" e ser campeã quando reinam o pessimismo e a desconfiança na imprensa e torcida. Sim, isso aparente ser apenas mais um "pensamento mágico", mas talvez tenha algum fundo psicológico nisso também.
  • Felipão é mestre em competições de mata-ou-morre ("pelamordedeus", não existe mata-mata).
  • Três semanas de treinamento intenso e o natural crescimento proporcionado pela sequência de jogos.
  • Competição oficial é bem diferente de amistosos, no que tange à concentração dos jogadores no trabalho.
Por outro lado:
  • Se em 94 e 2002 ganhamos Copas do Mundo sem nos consideramos favoritos, tínhamos Romário e Ronaldo na "ponta dos cascos", enquanto o Neymar de hoje está longe de sua melhor forma, além de não ser um jogador tão afirmado quanto já eram os outros dois às duas épocas de levantamento de taça.
  • Tanto em 94 como em 2002, como na Copa das Confederações de 2005, tínhamos um modelo tático bem definido e uma escalação praticamente fechada. Não temos nem uma coisa nem outra ainda.
  • Poderíamos ter tido mais sorte na divisão dos grupos, pois Uruguai, Nigéria e Taiti representariam um caminho mais fácil para um time que precisa crescer com o passar dos jogos.
Tudo somado e por uma questão passional de torcedor, sou obrigado a achar que o Brasil é favorito pelos menos à chegar numa final.

Pouco há o que criticar na convocação de Felipão. Me abstenho de dizer se a não convocação de Ronaldinho Gaúcho foi certa ou errada, mas como ele não me empolga nem como figura nem como jogador, não fará falta aos meus olhos. Prefiro jogadores como Kaká, que são menos habilidosos, mas mais constantes e decisivos nas horas difíceis. Mas se Kaká faz falta entre os 23 de Felipão, é porque se resignou a uma condição de reserva em seu clube. Ou porque já não reúne mais condições físicas e técnica.

Se no plano técnico a Seleção não teria como estar muito melhor, na parte tática, me parece que o time tem potencial de melhoria. Talvez até com o 4-2-3-1 empregado no momento. Especialmente Paulinho e Neymar parecem não estarem jogando de forma que mais lhes façam render o esperado. Embora o problema de Neymar confunda-se com sua má fase, Felipão ainda o testa aberto pela esquerda ou mais livre, logo atrás do centroavante. No papel, Paulinho joga na mesma função do 4-2-3-1 muito usado por Tite em suas campanhas vitoriosas. Mas, na prática, com a camiseta amarelinha ainda pouco se viu do Paulinho que esperamos. Eu gostaria de ver um 4-3-3 com Fernando na cabeça-de-área, Paulinho e Hernanes no estilo "box-to-box", com o ataque formando por Neymar e mais dois entre Lucas, Hulk, Oscar e Fred. Neymar poderia, quem sabe, ser utilizado como um falso 9, como Messi no Barça ou o Totti da Roma de alguns anos atrás. Por alguns minutos, a Seleção jogou no 4-3-3 contra a França, exatamente com Fernando-Paulinho-Hernanes, mais Lucas-Fred-Neymar. Mas como tirar Oscar do time, já que vem sendo o mais regular dos meias da seleção? Boa sorte, Felipão!

ITÁLIA
Sempre é difícil prever o desempenho da Azzurra, mas vem fazendo uma campanha tranquila nas eliminatórias, dando a entender que está dando continuidade ao bom momento vivido na Eurocopa de 2013, manchado apenas pelo retumbante fracasso no jogo final. Como de hábito, a Italia cresceu após a primeira fase, mas ao contrário da sua tradição, o time de Prandelli mostrou valorização da posse de bola, jogo ofensivo e imposição do seu jogo à estratégia do adversário. Houve uma renovação de mais da metade do elenco, mas a espinha dorsal é a mesma da campanha polaco-ucraniana. Por outro lado, acho que a Itália é a seleção que menos importância dá ao torneio, de modo que suspeito da condição física e anímica do grupo. Também não me agrada o time que Prandelli sinaliza mandar a campo, com apenas 1 atacante nato e uma quantidade muito grande de meio-campistas que não estão acostumados a jogarem abertos pelos flancos. A destacar a jovem dupla de ataque ítalo-africana formada por Balotelli (Palermitano filho de ganeses e adotado por italianos) e El Shaarawy (pai egípcio, mãe italiana), além dos experientes e qualificados meio-campistas Pirlo, De Rossi e Montolivo.

MÉXICO
Tem sido a "touca" da Seleção em várias competições oficiais diferentes. E, depois da grande campanha da medalha de ouro olímpica, tudo indicava que o México seria mais uma vez forte candidato a pedra no sapato verde-amarelo. Contudo, com 8 empates nas últimas 13 partidas e um futebol muito criticado pela imprensa e torcida, embora sem derrotas, baixaram minhas expectativas quanto a "El Tri". No plano individual, segue sendo Chicharito Hernández sua maior expressão técnica, ainda que sua temporada na Premier League não tenha sido das melhores. Estranhei a não convocação de duas figuras da campanha Olímpica: Peralta, centroavante que marcou contra o Brasil, e, sobretudo, Marco Fabián, que considero o mais talentoso jogador mexicano em ação no campeonato local.

JAPÃO
Campeã da Ásia em 2012, de boas participações nas últimas duas edições dos Jogos Olímpicos e presença constante em Copas do Mundo desde 98, além de folgadamente já classificados para a Copa de 2014, a seleção nipônica conta com uma boa mescla de jovens e experientes jogadores. Dizer que essa é a melhor seleção japonesa de todos os tempos pode não empolgar ninguém, mas talvez nenhum outro país tenha crescido tanto no futebol nos últimos 20 anos e não será surpresa se tirar a Itália ou mesmo o Brasil das semifinais. O time é taticamente muito organizado, duro na marcação e bastante técnico, embora não necessariamente habilidoso. Será uma dura estreia para o Brasil, em que pese nosso melhor jogo nos últimos tempos tenha sido justamente a goleada de 3-0 sobre o Japão, imediatamente antes da surpreendente demissão de Mano Menezes. Destaques para as bolas paradas do volante Endo e para os ótimos meia-atacantes Honda (CSKA Moscou) e Kagawa (Manchester United). Mijawa desfalca a seleção por conta de uma infecção urinária.

ESPANHA
Na Euro 2012, quando a Espanha dava mostras de que já não era a mesma, massacrou a Itália na final, na única partida em que realmente convenceu. Nas eliminatórias, pressionada por empate consecutivos contra Finlândia e França em terras espanholas, e novamente sob olhares desconfiados, bateu os gauleses em pleno Stade de France, praticamente garantindo a classificação à Copa 2014. É provável que desta vez vejamos o time de Xavi e Iniesta abaixo do seu auge, mas isso não a faz necessariamente inferior aos adversários. Para a atual campeã do mundo, bi da europa e medalhista de ouro nas Olimpíadas de 92, falta apenas a Copa das Confederações em sua sala de troféus. E virão "mordidos" pela derrota frente aos EUA nas semifinais da edição de 2010, o que aumenta seu favoritismo. Desnecessário falar sobre os seus destaques individuais, mas importante ressaltar a capacidade de revelação de bons jogadores nos últimos anos, garantindo um elenco forte além um grande time, e uma perspectiva de manutenção da Fúria no top 5 do ranking mundial por longo tempo.

URUGUAI
Depois de um biênio 2010-2011 com uma grande Copa do Mundo e o retorno ao topo do pódio sul-americano, o retumbante fracasso olímpico e a decepcionante campanha nas eliminatórias, não aposto no Uruguai como pretendente ao título. Mas, se por um lado tem Forlán em baixa, um sistema defensivo que não se renova e uma meia-cancha modesta, possui em Suárez e Cavani dois dos melhores atacantes em atividade na Europa. E muita camisa.

NIGÉRIA
São os campeões africanos de 2013 e uma tradição de grandes jogadores como Kanu, Yekini, Okocha, Oliseh, Amunike e tantos outros craques do passado. E isso não quer dizer rigorosamente nada. A CAN 2013 teve um nível técnico sofrível e as Super Águias tiveram muita dificuldade de bater uma Burkina Fasso privada de seu melhor jogador na final. Além disso, Moses e Emenike, seguramente dois dos dez melhores jogadores da competição, não vieram ao Brasil. Seu grupo de jogadores é o mais jovem da competição, mas muito mais por falta de opções e medalhões afastados pelo técnico Stephen Keshi do que propriamente por uma boa safra de revelações. Para piorar, o clima no vestiário não é dos melhores, por conta de discussões sobre premiação, às vésperas do embarque. Individualmente, destacam-se apenas o "chelseano" capitão Obi Mikel e o jovem e desconhecido meia Sunday Mba, que começou a CAN no banco e se transformou numa das figuras da equipe.

TAITI
Na Copa do Mundo 2010, o representante da Oceania endureceu suas partidas e arrancou empates contra Paraguai, Eslováquia e Itália, voltando invicto para casa. Mas era a Nova Zelândia, que não se compara com o Taiti. Com uma seleção com 22 jogadores amadores e um único "europeu", os taitianos chegaram ao Brasil apenas e tão somente por uma conjunção de zebras que entrou para história do pobre e desconhecido futebol de seu continente. O Taiti ter batido a Nova Caledônia na final do torneio continental foi tão supreendente quanto a vitória desta sobre os Kiwis, na semifinal. Serão um saco de pancadas e farão Felipão se lembrar de Bambala e Arimatéia. Seu único destaque é Marama Vahirua, 33 anos, veterano de campeonatos franceses e mais conhecido por ser primo de Pascal Vahirua, figura do Auxerre na década de 90 e que jogou a Euro92 pelos "Bleus".

domingo, fevereiro 17, 2013

CAN 2013: final

NIGÉRIA x BURKINA FASO 1-0

Mba 40'




Nigéria: Enyeama 7, Ambrose 6 , Omeruo 7, Oboabona 6 e Echiejile 6 (Oshaniwa 5); Moses 7, Onazi 6,  Mikel 6 e Mba 7 (Yobo s.n.); Uche 4 (Musa 5) e Ideye 6.

Burkina FasoDaouda Diakité 6, Koffi 5, Bakary Koné 5, Keba Paul Coulibaly 4 (Dagano sn) e Panandetiguiri 3; Rouamba 6 (Sanou 5) e Djakaridja Koné 5 (Razack sn); Pitroipa 5, Kaboré 7 e Nakoulma 5;  Bancé 5. 

Nota do jogo: 6

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

CAN 2013: análise das semifinais

MALI x NIGÉRIA 1-4

Echiejile 25', Ideye 30', Emenike 44', Musa 60', Fantamady 75'

Minha expectativa por um jogo equilibrado e de poucos gols, definido numa prorrogação, dissipou-se na primeira meia hora de partida. Embora o Mali tenha partido melhor, tomando a iniciativa do jogo e tentando impor um ritmo mais rápido do que nas apresentações anteriores, foi a Nigéria que abriu vantagem com dois gols em 5 minutos, com duas jogadas rápidas e de profundidade pelo lado direito de seu ataque. No primeiro gol, grande jogada de Moses sobre Tamboura, cruzamento certeiro no segundo pau e escorada de peixinho do lateral esquerdo Echiejile, que aparece sozinho metros à frente de seu desatento marcador, Maiga. No segundo, moses lança Emenike em velocidade às costas de Tamboura, cruzamento rasteiro e Ideye, meio embolado com a zaga, escora para as redes. Os gols abateram demais o ânimo malinês e a Nigéria tomou conta do jogo. Esperanças de Mali definitivamente sepultadas quando Emenike fez mais um gol de falta mal cobrada, desta vez desviada na barreira.  Keshi troca Moses - grande destaque da partida - por Musa ainda no inicio do segundo tempo e é brindado por mais um gol em velocidade às costas de Tamboura (de boa atuação ofensiva), em lançamento rasteiro preciso de John Obi Mikel. As mexidas de Mali melhoraram bastante a equipe, que fez um gol e criou mais algumas boas chances, mas já contra uma Nigéria relaxada e apenas especulativa no contra-ataque. 

No plano tático, o Mali, com Samba Diakité contundido, optou por um 4-4-1-1 com Keita ligando meio e ataque. Mas seus jogadores de flanco, Maiga e M. Traoré pouco sucesso tiveram contra seus marcadores e Keita acabou ficando bloqueado entre os volantes e a linha de zaga. Sissoko ficou mais retido à frente da zaga e coube a K. Traoré, de boa atuação até a debacle da equipe, o comando da armação de jogo. Pelo outro lado, o que se viu foi uma Nigéria novamente muito rápida e determinada, num misto de 4-4-2 com 4-2-3-1, com o centroavante Emenike ocupando o flanco direito na primeira linha de marcação com Mba e Moses, mas acompanhando Ideye à frente nas ações ofensivas. Mantido titular mesmo após o cumprimento da suspenação por Ogude, Onazi esteve muito forte na marcação, deixando o centro nervoso das manobras com Mikel em posição mais baixa e Mba e Moses na ligação com o ataque. Determinante a maior presença ofensiva do lateral Echiejile. Com a saída de Moses, Musa entrou como ponta-direita, passando o time para um 4-3-3, com Ideye pela esquerda. Cresce muito o time de Keshi, o treinador que promoveu uma renovação na seleção e que parecia não ter convicação na formação tática e escalação, alteradas jogo a jogo. Mas, o que se nota agora, é que Keshi tem um plantel capaz de lhe oferecer variações táticas importantes dentro de uma mesma partidas, adaptando-se ao modo de jogar do adversário.

Mali: Samassa 6, Diawara 4, Wague 4, N'Diaye 4 e Tamboura 4; Maiga 4 (Fantamady 7), Sissoko 5,  (Diabaté 7), K. Traoré 5 e M. Traoré 5 (Sow 5); Keita 5 e Samassa 5. 

Nigéria: Enyeama 6, Ambrose 6 (Yobo s.n.), Omeruo 6, Oboabona 6 e Echiejile 7; Moses 8 (Musa 7), Onazi 7,  Mikel 7 e Mba 6; Emenike 7, Ideye 7 (Uzoenyi s.n). 

Nota do jogo: 7

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BURKINA FASO x GHANA *1-1 (3-2 nos pênaltis)

Wakaso 13' (P), Bancé 60'

Ghana mandou a campo Wakaso no lugar de Adomah, mas centralizado logo atrás de Gyan, com Asamoah e Atsu, em nova boa atuação, nos flancos. Mas isso durou apenas dez minutos, pois com a contusão de Pantsill, James Appiah promoveu a entrada do winger direito Asante, deslocando o juventino Asamoah para a lateral-esquerda e Afful trocando de lado na linha defensiva. Não sei quais opções estavam disponíveis ao treinador ganês, mas o fato é que toda essa mexida foi prejudicial à sua equipe, pois embora Asante tenha jogado bem, Kwadwo Asamoah é um jogador muito precioso para ficar distante do centro do jogo e com atenção defensiva redobrada, já que o winger direito de Burkina - Nakoulma - é um jogador muito rápido e agudo. Burkina veio reforçada no meio com a presença do bom marcador Rouamba, adiantando Kaboré para o centro da linha de 3 meias, onde passou os 90' comandando toda a manobra ofensiva dos Garanhões. Após boa atuação no jogo anterior, Nakoulma foi confirmado entre os titulares, mas pela direita, deixando Pitroipa aberto pela esquerda. O comando de ataque foi dado ao folclórico Bancé, substituindo o vetereano ex-capitão Dagano, que no jogo anterior confirmara sua má forma técnica. E foram Pitroipa e Bancé as figuras mais importantes do jogo. Após tomar um gol em cobrança de pênalti só visto pelo péssimo árbitro tunisino, Burkina passou a dominar as ações. Mesmo com Ghana levando perigo em várias oportunidades, especialmente em jogadas de Atsu e Gyan, Burkina sempre esteve mais perto do gol. O grandalhão Bancé desperdiçava inúmeras oportunidades criadas pela forte meia-cancha burquinabê, algumas por falta de sorte, mas muitas por incompetência técnica. Mas foi justamente Bancé que empatou o jogo após roubada de bola de Rouamba no campo de ataque e assistência de Kaboré, pescando-o sozinho entre a dupla de zaga de Ghana, surpreendida pelo erro de Badu na saída de bola. À medida que o tempo passava, Ghana decaía nitidamente na condição física e Burkina pressionava. Na prorrogação, Nakoulma encobre Douda após disputa corpo a corpo com Asamoah, mas vê seu gol anulado pelo o árbitro Jedidi Slim, que viu uma polêmica falta do atacante. Faltando minutos para o fim, Pitroipa invade a área em velocidade e é clamorosamente derrubado por trás. Mas Slim não apenas ignora a falta como dá o segundo amarelo a Pitroipa, excluindo-o não só da partida, como da grande final. Desconsolado, sentado no túnel, o ao habilidoso e ágil atacante do Rennes vê seu país entrar para a história, ao bater Ghana nas decisão por penaltis. 

Burkina FasoDaouda Diakité 6, Koffi 6 (Henri Traoré 6), Bakary Koné 7, Keba Paul Coulibaly 6 e Panandetiguiri 4; Rouamba 7 e Djakaridja Koné 6; Pitroipa 7, Kaboré 8 e Nakoulma 6;  Bancé 6.   


Ghana: Dauda 7, Pantsill s.n. (Asante 6), Boye 5, Vorsah 5 e Afful 4; Badu 5 e Rabiu 5 (Derek Boateng 5); Atsu 7, K. Asamoah 6 e Wakaso 6 (Clottey 5); A. Gyan 6.

Nota do jogo:8

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Palpite para a final:
Chegaram à final dois times que baseiam seu jogo muito mais num coletivo forte e boa preparação mental e atlética do que nos destaques técnicos individuais. Tenho impressão que os treinadores Keshi e Put realmente fizeram dois grandes trabalhos. Apenas 12 meses atrás, na CAN 2012, o mesmíssimo time-base deste ano* -  e ainda com Dagano em melhor fase e Alain Traoré jogando todas as partidas,  foi eliminada na primeira fase, com três derrotas para Angola, Sudão e Costa do Marfim, sob comando do português Paulo Jorge. Agora, sem seu craque contundido e com Pitroipa injustamente suspenso, os Garanhões precisarão de um milagre para superar as Super Águias de Keshi. O ex-zagueiro da Copa de 94 e campeão da CAN 94 está prestes a se tornar uma lenda viva do futebol do seu país, com um improvável título a ser vencido por uma equipe renovada e muito criticada antes do torneio, mas que chega à final com muita confiança. Cabe lembrar que as duas equipes se enfrentaram na primeira rodada da CAN 2013, em que Nigéria começou melhor e Burkina buscou um merecido empate no segundo tempo. Naquele jogo, Alain Traoré, que vinha de lesão, entrou no segundo tempo e mudou a cara do jogo, empatando ele mesmo a partida após grande jogada de Pitroipa. Mas os destaques dos Garanhões não estarão em campo desta vez e a Nigéria cresceu muito desde a estréia. Nigéria 2x1, mas minha torcida ficará com Burkina.


* Diakité, Koffi, Bacary Koné, Tall e Keba Coulibaly (Panandetiguiri), Djakaridja Koné e Rouamba (Keré); Kaboré (Nakoulma), Alain Traoré e Pitroipa; Dagano (Bancé). Como se vê, basicamente apenas Tall e Keré não estão mais naquele grupo de 15 ou 16 jogadores que costumam se alternar entre titulares e substituitos principais ao longo da competição.


CAN 2013: palpitão das semifinais


Dos quatro jogos das quartas, acertei na mosca os placares dos jogos do sábado e inverti os resultados das partidas do domingo. Mesmo assim, vou seguir dando meus pitacos:

Mali x Nigéria: jogo deverá ser muito equilibrado e de poucos gols. Mali chegou à Africa do Sul como candidato a finalista e Nigéria sob suspeitas, mas ambos se classificaram a avançaram aos trancos e barrancos, sem convencer ninguém. Mali em tese é melhor time, mas as Super Águias estão em crescimento, especialmente na questão anímica. Torço para Mali, mas acho que dá Nigéria 2-1.

Ghana x Burkina Faso: com Alain Traoré não hesitaria em dar o favoritismo à Burkina. Sem ele, achei que não passariam do Togo, mas o ótimo trabalho coletivo montado por Paul Put dá aos "Etalions" uma chance de engrossarem o jogo com Ghana. Por sua vez, as Estrelas Negras tem um miaor número de jogadores qualificados e um conjunto relativamente sólido. Aposto na tradição de Ghana: 2-0.

sábado, fevereiro 02, 2013

CAN 2013: análise das quartas-de-final


GHANA x CABO VERDE 2-0
Wakaso 54' (p) e 95'

Partida bem jogada, ainda que um pouco monótona no primeiro tempo, em que Ghana teve quase 70% de posse de bola e Cabo Verde um pouco mais de perigo nos contra-ataques. Segundo tempo muito movimentado, com Ghana abrindo o placar num pênalti discutível, numa fase da partida em que Cabo Verde jogava melhor. A contusão de bom Ryan Mendes, que não fazia um jogo tão bom quanto os anteriores, acabou sendo positiva, pois seu substituto - Luís "Platini" Soares - deu velocidade e nova dinâmica aos Tubarões. Os bons meio-campistas de Ghana não conseguiram se impor e Cabo Verde parecia ter 12 em campo. Mas a forte pressão caboverdiana esbarrou nas mãos do goleiro Daouda, que apesar de sair mal do gol em duas oportunidades, fez grandes defesas em chutes de média e longa distância. Uma arbitragem muito simpática a Ghana também prejudicou um pouco os valentes caboverdianos, que sempre bem postados em campo, brigaram até o último minuto. O segundo gol veio justamente aos 49', após rebote de escanteio em que Cabo Verde ficou sem goleiro, que havia subido para tentar cabeceio. O placar foi digno da diferença de hierarquia entre as seleções, mas não refletiu o enfrentamento parelho e menos ainda a maior quantidade de chances de gol criadas pelos novatos e supreendentes caboverdianos.

Ghana: Daouda 7, Pantsill 5, Boye 5, Vorsah 6 e Afful 6; Badu 5 e Rabiu 5; Adomah 4 (Wakaso 6), K. Asamoah 5 e Atsu 5 (Asante 5); A. Gyan 6.

Cabo Verde: Vozinha 5, Carlitos 7, F. Varela 6, Nando 7 e Nivaldo 5; Marcos Soares 5, T. Varela 5 (Djaniny 6) e Babanco 6; Heldon 5, Julio Tavares 6 (Rambé s.n.) e Ryan Mendes 5 (Platini 6).

Nota do jogo: 7
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AFRICA DO SUL x MALI 1-1* (1-3 nos pênaltis)

Rantie 31', Keita 58'

Com Furman jogando atrás de uma linha de 4 meias e Rantie muito movediço no centro do ataque, os Bafana Bafana dominaram amplamente as ações do primeiro tempo. O mesmo 4-1-4-1 de Mali deu enormes espaços aos internos Lestsholonyane e Mahlangu, que foram os organizadores de todas as boas jogadas ofensivas da Africa do Sul, como a do gol, em que Rantie aproveitou uma chute errado de Parker. Quando Samba Diakité saiu por contusão, Patrice Carteron alterou o esquema para um 4-2-3-1, com Sow e Sissoko na meia defensiva, mas sem sucesso na contenção do ímpeto sul-africano. Mali voltou mais bem postado no segundo tempo empatou o jogo em cruzamento de Samassa aberto na esquerda para cabeçada de Keita, mais uma vez dono do time e decisivo. A partida seguiu com os donos da casa mais impetuosos, mas com Mali controlando o jogo bem melhor do que no primeiro tempo. Os ritmos caíram na prorrogação, bastante equilibrada. Na decisão por pênaltis, Diakité, que jogou por conta da suspensão do titular Soulama, mostrou ser um bom pegador de cobranças.

Africa do Sul: Khune 6, Gaxa 4, Sangweni 6, Khumalo 5 e Masilela 5; Furman 7; Phala 5 (Serero 6), Lestholonyane 7, Mahlangu 7 e Parker 5 (Tshabalala 5);  Rantie 6 (Majoro 5) .

Mali: So. Diakité 6, Diawara 5, Wague 6, A. Coulibaly 5 e Tamboura 6; Sissoko 4, Sa. Diakité s.n. (S. Diarra 5), Sow 5, Keita 7 e Maiga 6; Samassa 6 (Diabaté 4). 

Nota do jogo: 7
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COSTA DO MARFIM x NIGÉRIA 1-2

Emenike 43', Tioté 50', Mba 78'

Se olhássemos apenas para o histórico destas duas potências do futebol africano, soaria como uma blasfêmia a afirmação de que esta foi a maior zebra da CAN 2013. O fato é que Costa do Marfim estava invicta a 26 partidas (3 anos) contra seleções africanas, sobrou na primeira fase e tem um plantel capaz de montar dois times que disputariam classificação para uma Copa do Mundo, enquanto a Nigéria sofre com uma renovação de elenco e muda a escalação a cada jogo, atrás de uma formação ideal que teima em não aparecer. Mesmo com a volta de Drogba de volta ao time titular, os ivorianos não conseguiram fazer sua técnica superior sobrepujar o sistema defensivo de uma Nigéria muito mais aguerrida e concentrada. As Super Águias, desfalcadas do bom volante Ogude e com uma estranha disposição tática em que o pesado centroavante Emenike teve de jogar pelo flanco, teve como destaques Victor Moses e, principalmente o desconhecido meia Mba, que aos 24 anos ainda joga no futebol local.  Pouco foi criado por ambas equipes na primeira etapa, mas a sorte brindou a Nigéria com um gol de falta em que o goleiro Copa Barry cometeu grave falha. Os Elefantes voltam bem melhor na segunda etapa, empatam a partida e criam mais algumas ocasiões, mais aos poucos voltam àquele futebol letárgico e um tanto quanto soberbo, repetidamente mostrado ao longos dos últimos anos. Foram punidos por outro lance de sorte dos nigerianos, quando Mba fez grande jogada indiviadual e teve seu chute desviado nas costas de Bamba, enforcando Copa Barry.  Deve-se parabenizar o time de Stephen Keshi, mas a Costa do Marfim tropeçou nas próprias pernas.

Costa do Marfim: Barry 4, Eboué 6, Zokora 6, Bamba 6 e Tiéné 5; Romaric 4 (L. Traore 5) e Tioté 7; Kalou 5 (Gradel 5), Yaya Touré 5 e Gervinho 5; Drogba 6

Nigéria: Enyeama 6, Ambrose 5, Omeruo 6, Oboabona 5 e Echiejile 6; Onazi 6 e Mikel 6; Emenike 6, Mba 8 e Moses 7 (Yobo s.n.); Ideye 5. 

Nota do jogo: 7

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BURKINA FASO x TOGO 1-0 (0-0 no tempo regulamentar)

Pitroipa 105'

Sem sua principal estrela, Alain Traoré, contundido e fora do torneio, Paul Put escalou Burkina no 4-4-2, com Pitroipa centralizado e um pouco atrás do centroavante Dagano, com Sanou e a novidade Ouattara nos flancos. Por sua vez, o treinador de Togo, Didier Six, adiantou o stopper Akakpo para a cabeça-de-área, especialmente para poder controlar o movediço Pitroipa. Assim, o 5-4-1 ou 5-2-3 das outras partidas se convertou num 4-1-4-1, com os internos Romão e Amewou com maior liberdade de apoio e Adebayor trabalhando como um pivô à frente. Na primeira metade do primeiro tempo, principalmente, Togo dominou amplamente as ações, em jogadas muito bem trabalhadas por Adebayor junto à linha de 4 meias, envolvendo a defesa burquinabê e criando algumas boas ocasiões. Os Garanhões equilibraram a partida mais para o fim da primeira etapa, especialmente por meio das jogadas de Pitroipa. No segundo tempo, duas alterações fizeram com que o domínio da partida se desequilibrasse em favor de Burkina. A inexplicável troca de Floyd Ayité pelo mais tático Segbefia, deixou Adebayor sem seu principal parceiro de jogadas e liquidou o ataque de Togo. Logo em seguida, Put trocava o quase imperceptivel winger esquerdo Outtara por um veloz e impetuoso Nakoulma, que colocou em pânico o lado direito da defesa togolesa, imprensando de vez o adversário em seu próprio campo. Salvo uma jogada individual de Adebayor, em que Diakité fez grande defesa, Burkina comandava a partida e fez por merecer seu gol, já na prorrogação: escanteio pela direita, cabeçada de Pitroipa, incrívelmente desmarcado no primeiro pau.


Burkina Faso:  Daouda Diakité 7, Koffi 5, Bakary Koné 6, Keba Paul Coulibaly 6 e Panandetiguiri 5; Sanou 5 (Razack 6), Djakaridja Koné 5, Kaboré 7 e Ouattara 4 (Nakoulma 6); Pitroipa 8 (Rouamba s.n.) e Dagano 4.  

Togo: Agassa 6, Mamah 4, Akakpo 5 (Wome 6), Nibombe 6, Bossou 5 e Djené 7; Floyd Ayité 6 (Segbefia 3), Romão 7, Amewou 6 (Salifou s.n.) e Gakpé 7; Adebayor 7. 

Nota do jogo: 7

CAN 2013 - análise da terceira rodada


Análise:

Grupo A:

Se os jogos não foram um primor de técnica, no quesito emoção a rodada final do grupo A ganhou nota alta. Nos últimos 10 minutos, período em que foram marcado quatro gols nas duas partidas, as quatro seleções tiveream momentos em que se classificavam à fase seguinte. Com várias de suas principais estrelas, como Belhanda, Amrabat, Assaidi e El Ahmadi, sacadas do time por deficiência técnica, Marrocos fez sua melhor partida na CAN, impondo o seu ritmo de jogo aos donos da casa e abrindo o placar com justiça. Mas não foi competente o suficiente para impedir, por duas vezes, o empate sul-africano. Invictos, com três empates, os Leões do Atlas novamente decepcionam e voltam pra casa mais cedo, enquanto os  sul-Africanos, mesmo que por linhas tortas, acabam confirmando seu favoritismo e a liderança do grupo. Não pude ver o outro jogo, mas pelo que mostraram nas partidas anteriores, a virada de Cabo Verde sobre Angola foi justa.

Grupo B
Congo e Mali fizeram um jogo abaixo das expectativas, embora bastante movimentado. Congo começou melhor, mesmo com seu melhor jogador deixado inexplicavelmente no banco, abriu o marcador com um gol de pênalti, mas logo em seguida levou o empate. Mesmo com a entrada de Mputu, no segundo tempo, melhorando bastante a armação de jogo, Congo jogou menos que Mali e mereceu a desclassificação. Patrice Carteron lançou mão de um 4-1-4-1, com Momo Sissoko atrás de 4 armadores, e Mahamadou Traoré isolado como atacante, mas com atuação individual muito superior ao do ex-titular Dembelé. Se o Mali não mostra tanta qualidade como se esperava antes da competição, Ghana parece ter acertado o time, ainda que depenado de suas grandes estrelas de meio-de-campo. A goleada sobre Níger veio ao natural, a partir de uma grande atuação do avante Asamoah Gyan, o que não ocorrera nas partidas anteriores. Christian Atsu, jovem promessa do Porto e mal nas primeiras rodadas, também fez grande partida. Ghana cresce na parada e volta a ser a favorita para enfrentar Costa do Marfim na final.

Grupo C
Nigéria teve imensas dificuldades para bater uma modesta Etiópia, ainda enfraquecida pela ausência de alguns titulares importantes. Teve muita posse de bola, mas pouca eficiência no ataque, onde não brilhou o centroavante Emenike. Mikel também teve atuação muito abaixo do esperado para um titular do Chelsea. As Super Águias criaram poucas chances de gol, movimentando o placar somente nos ultimos 12 minutos, em dois lances de pênalti sobre Moses, que seriam plenamente evitados por uma seleção um pouco mais tarimbada e qualificada que a Etiópia. Chamou atenção a precariedade defensiva do time nigeriano, especialmente em relação à sua dupla de zaga e ao meio campo um pouco aberto demais. Defensivamente, o único destaque foi o volante Ogude, além de uma grande defesa do veterano Enyeama, em cabeçaço de Salahdin logo após o primeiro gol nigeriano. Curiosamente, a Etiópia deve ter sido a única seleção da história da CAN a usar 4 goleiros numa mesma edição do torneio. Além de ter usado todos os três guarda-redes inscritos, quem esteve na porta dos Antílopes nos últimos minutos da partida foi o meia Addis, já que Sisay havia sido expulso no lance do segundo pênalti.
Zâmbia e Burkina prometiam um jogo com placar movimentado, mas a péssima fase dos atuais campeões, adicionada às questionáveis escolhas do treinador Hervè Renard, fizeram dos Chipolopolo um time sem brilho e sem força. Pela outro lado, Burkina foi imensamente prejuducada pela lesão de seu melhor jogador e artilheiro da CAN ainda no início do jogo, o meia Alain Traoré. Sem o craque do Lorient, as chances do bom time burquinabê passar por Togo na próxima fase caem drasticamente.

Grupo D
O "grupo da morte" foi realmente diferenciado dos demais, pois além de nos apresentar um time destacadamente mais qualificado do que todos os demais, teve um Togo supreendentemente muito bem armado e com soluções ofensivas. Tunísia esteve na média do que sempre foi e a Argélia mereceria um pouco mais de sorte, pois jogou mais futebol do que os resultados mostram. Fiquei com a sensação de que duas seleções magrebinas poderiam ter se classificado se tivessem caído em outros grupos. Na última rodada, depois de um primeiro tempo monótono, Argélia melhorou muito com a entrada de Feghouli e abriu dois gols de vantagem no segundo tempo. A partir daí, Costa do Marfim mostrou que mesmo seu time de reservas é superior à maioria das outras representações africanas, sendo capaz de, com um pouco de esforço, igualar e quase virar o placar com duas grandes oportunidades perdidas no final do jogo.  Togo dominou a Tunísia na primeira metade so primeiro tempo e mereceu fazer até mais do que um gol. Num esquisito 4-2-4 sem atacantes fixos, aos poucos a Tunísia conseguiu encaixar seu jogo e pressionar o Togo, até fazer por merecer o empate. Dali pra frente, o jogo ficou muito prejudicado pela pior arbitragem internacional que já vi. Além de muito prejudicado pelo péssimo desempenho de seus auxiliares nos lances de impedimento, o sul-africano Daniel Bennett deixou de marcar 3 pênaltis claríssimos para o Togo e dois para a Tunísia. Assinalou erradamente um pênalti para as Águias de Cartago, que felizmente para a justiça do jogo, foi mandado na trave pelo capitão Moelhi, quando faltavam 10 minutos para o fim. Bennett ainda foi muito mal no critério para cartões e a cereja do bolo foi um equivocado amarelo para Nibombé, em falta cometida pelo colega Akakpo.




Sistemas táticos:
4-2-3-1: ANG, MAR, COD, GHA, CIV, BFA, NGA, ALG
4-4-2: RSA, ETH, ZAM
4-3-3: CPV, NIG

4-1-4-1: MLI
4-2-4: TUN
5-4-1: TOG

Notas dos jogos:
7: TOG 1x1 TUN
    MAR 2x2 RSA
6: NIG 0x3 GHA
    COD 1x1 MLI
   ALG 2x2 CIV
5: BFA 0x0 ZAM
   NGA 2x0 ETH
não assisti: ALG 2x2 CIV e CPV 2-1 ANG
média de notas da rodada: 6
média de gols da rodada: 2,5
média de notas geral: 5,78
médias de gols geral: 2,04

Gol mais bonito: Christian Atsu (GHA)
Craque da rodada: Asamoah Gyan (GHA)

Seleção da rodada (no 4-2-3-1): Agassa (TOG),  Pantsill (GHA), Boye (GHA), Vorsah (GHA), e Tamboura (MLI); Mahlangu (RSA) e Badu (GHA); Pitroipa (BFA), Atsu (GHA) e Gakpé (TOG); Gyan (GHA).


Resultados dos palpites para a terceira rodada:
MAR x RSA: 1-1 (2-2): resultado certo
CPV x ANG: 1-0 (2-1): resultado certo
NIG x GHA: 0-2 (0-3): resultado certo, placar semicerto
COD x MLI: 1-1 (1-1): placar exato
BFA x ZAM: 2-1 (0-0): tudo errado
NGA x ETH: 2-0 (2-0): placar exato
ALG x CIV: 0-2 (2-2): resultado errado, placar semicerto
TOG x TUN: 1-1 (1-1): placar exato

Palpites para as quartas-de-final:
RSA x MLI 1-1 Mali é melhor, mas Africa do Sul vem embalada pela classificação dramática e terá estádio cheio. Jogo deve ser equilibrado.
CIV x NIG 2-0 Nigéria é um adversário tradicional e forte, mas passa Costa do Marfim, com seu futebol sólido e técnico, muito superior às demais.
BFA x TOG 0-2 Sem Alain Traoré, Burkina não conseguiu fazer gols ainda. Aposto numa boa atuação do rápido ataque togolês sobre a fraca retaguarda dos Garanhões.
GHA x CIV 2-0 Torço pra Cabo Verde, mas acho que a solidez e experiência das Estrelas Negras não deixarão margem a nova supresa dos organizados e empolgados Tubarões Azuis.

domingo, janeiro 27, 2013

CAN 2013 - análise da segunda rodada

Comentário:
A segunda rodada da CAN2013 apresentou melhores jogos, o que aumentou um pouco a baixa média de gols da primeira. Zâmbia melhorou seu futebol mas mesmo assim teve imensas dificuldades para conseguir um empate com a Nigéria, que jogou melhor e foi prejudicada pela arbitragem pela marcação de uma penalidade inexistente. Hervé Renard escalou o lateral Nkausu no lugar do zagueiro Himoonde (pior atuação individual em absoluto na primeira rodada), passando o lateral esquerdo Musonda para a direita e promovendo Mbola na esquerda. Em que pese a fraca atuação de M'Bola e o ridículo pênalti cometido por Nkausu, a atuação geral do setor foi bem melhor do que na partida anterior. Na frente, jogou com Mayuka e Katongo lado a lado. Mas, eles que foram os dois maiores destaques dos campeões em 2012, tiveram más atuações, parecendo fora de forma física e técnica. Chisamba teve a melhor atuação dentre os meias, mas depois perder a bola numa tentativa de drible no campo de defesa, sentiu o peso da culpa pelo gol nigeriano e passou a errar tudo, tendo de ser substituido. Não vejo mais, em Zâmbia, condições para lutar pelo bi-campeonato e acho que não passam por Burkina Faso no próximo jogo. Mali  Depois da ótima estreia, Congo tropeçou feio ao empatar com o fraco Níger. Verdade que, no primeiro tempo, criaram boas oportunidades, mas de forma geral jogaram muito mal, errando passes demais. Com isso, pode ter posto fora sua classificação, já que terão de vencer o Mali, uma vez que Ghana começa a acertar o time e deve passar fácil pelo Níger. Não que o Mali venha jogando bem, mas é um time defensivamente bem mais sólido que o Congo, muito forte fisicamente e com condições técnicas não muito diferentes. Ao Mali parece estar faltando melhores atacantes e um pouco mais de concentração e velocidade. Encheram os olhos as atuações de Burkina e Costa do Marfim. Com Lassina Traoré no lugar do fora de forma Drogba, e mais algumas alterações em relação à estreia, os elefantes acertaram o time e amassaram tática e tecnicamente a Tunísia no primeiro tempo, embora tenham folgado no marcador apenas no final da partida. Mas é esse o estilo da Costa do Marfim, com seu futebol cadenciado e indolente, mas muito técnico. Por sua vez, os Garanhões passaram por cima da Etiópia, jogando um futebol muito rápido, especialmente quando Paul Put retirou Bancé e Sanou e armou o time para o contra-ataque, com a expulsão de seu goleiro por um lance infantil. Mas Etiópia poderia ter tido melhor sorte na partida, não tivesse sofrido a prematura contusao de Adane, seu melhor jogador, e não tivesse terminado na trave a conclusão de Shemeles, após grande jogada coletiva em contra-ataque no início da partida. A destacar, ainda, a significativa melhora da Africa do Sul, bastante modificada em relação ao primeiro jogo, a nova boa atuação de Togo e o surpreendente rendimento de Cabo Verde. Os Tubarões Azuis, para muitos candidatos a saco de pancadas da CAN 2013, tem alguns bons jogadores e um time taticamente muito bem armado, além de mostrarem ótimas formas física e anímica.

No plano tático, mais equipes adotaram o 4-2-3-1 e o Togo abriu mão dos 3 zagueiros para usar um clássico 4-4-2 à inglesa. Cabe ressaltar que as diferenças entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1 muitas vezes são sutis, como no caso de Costa do Marfim, por exemplo. Neste caso, considerei Gervinho e Kalou como atacantes de flanco, mas outros observadores poderiam incluí-los numa linha ofensiva de meias, com Yaya Touré pelo centro.   

Sistemas táticos:
4-2-3-1: ANG, MAR, COD, GHA, MLI, CIV, BFA, NGA, TUN, ALG
4-4-2: RSA, ETH, TOG, ZAM
4-3-3: CPV, NIG




Notas dos jogos:
8: BFA 4x0 ETH 
7: ZAM 1x1 NGA
    CIV 3x0 TUN
6: RSA 2x0 ANG
    MAR 1x1 CPV
    ALG 0x2 TOG
5: GHA 1x 0 MLI
4: NIG 0x0 CDO
média de notas da rodada: 6,13
média de gols da rodada: 2
média de notas geral: 5,69
médias de gols geral: 1,81

Gol mais bonito: Gervinho (CIV)
Craque da rodada: Alain Traoré (BFA)

Seleção da rodada (no 4-2-3-1):
Agassa (TOG), Pantsill (GHA), Sangweni (RSA), Sunzu (ZAM) e Echiejile (NIG); Badu (GHA) e Barrada (MAR);  Gervinho (CIV), Alain Traoré (BFA) e Pitroipa (BFA); Adebayor (TOG).



Palpites para a terceira rodada:
MAR x RSA: 1-1
CPV x ANG: 1-0
NIG x GHA: 0-2
COD x MLI: 1-1
BFA x ZAM: 2-1
NGA x ETH: 2-0
ALG x CIV: 0-2
TOG x TUN: 1-1

Resultado dos palpites da segunda rodada:
RSA x ANG: 2-1 (2-0) resultado certo, placar semi-certo
MAR x CPV: 1-0 (1-1) resultado errado, placar semi-certo
GHA x MLI: 1-1 (1-0) resultado errado, placar semi-certo
NIG x CDO: 1-4 (0-0) tudo errado
ZAM x NGA: 2-1 (1-1) resultado errado, placar semi-certo
BFA x ETH: 2-1 (4-0) resultado certo
CIV x TUN: 1-0 (3-0) resultado certo, placar semi-certo
ALG x TOG: 1-1 (0-2) tudo errado

quarta-feira, janeiro 23, 2013

CAN 2013 - análise da primeira rodada

Comentário:
A primeira rodada da CAN 2013 começou com dois empates zerados, fraquíssimos técnica e animicamente falando. Mas a partir do segundo dia, qualidade e emoção aumentaram significativamente, em que pese mais três empates em seis jogos e a fraca média de gols, de apenas 1,63, contra 2, 2,75 e 3,75 nas primeiras rodadas de 2012, 2010 e 2008, respectivamente. Mas a grande decepção é o público. Grandes estádios, praticamente às moscas, exceção feita o jogo de estréia da seleção anfitriã e à invasão etíope em Nelspruit. Não que as edições anteriores tenham sido um sucesso de bilheteria, mas num país mais organizado e desenvolvido, esperava-se bem mais.

Em termos táticos, o futebol africano acompanha a tendêcia mundial, com um predomínio do 4-2-3-1, usado por 7 seleções no início das partidas, sem contar Tunísia e Argélia, que para ele derivaram suas formações durante o segundo tempo.

Decepcionaram a África do Sul e Zâmbia, justamente os donos da casa e os atuais campeões. Enquanto os Bafana Bafana confirmaram a pobreza técnica de uma transição de gerações, os Chipolopolo me pareceram atrapalhados pelo peso da defesa do título e subestimação do adversário. Com o mesmo treinador e 20 dos 23 campeões de 2012, reforçados por 3 jogadores que entao estavam contundidos, esperava-se o mesmo futebol técnico e rápido do ano passado. Mas o que se viu foi uma trágica atuação defensiva (especialmente de Himoonde), profusão de passes errados e péssima pontaria. Acredito que tanto sul-africanos quanto zambianos farão um segundo jogo melhor, livres dos fatores psicológicos negativos da estréia. A terceira decepção foi Mali, que teve imensas dificuldades de superar Níger, sem dúvidas o time mais fraco da CAN. Outra seleção que sofre com transição de gerações e desligamento de medalhões é a Nigéria, que muito justamente levou um empate do bem razoável time de Burkina Faso.

Conhecidos como Garanhões, o time burkinabe vem de 18 jogos seguidos sem vitória em Copas da África, pode muito bem acabar com o tabu se o treinador Paul Put mantiver as alterações que realizou no segundo tempo. Costa do Marfim mostrou o futebol mais equilibrado, técnico e consistente, ainda que lento e por vezes desinteressado, contra um Togo nitidamente superior àquele da CAN e Copa do Mundo 2006. Outras confirmações foram o enfraquecimento de Ghana, desfalcado dos conhecidos Prince Boateng, Essien, Muntari e André Ayew, além de vários defensores experientes, bem como as previsões de possível supresa feitas em relação ao Congo. Os Leopardos, do folclórico e limitado goleiro Kidiaba (anão voador à melhor moda Roberto Rojas), apresentaram um futebol muito parecido com o de Zâmbia em 2012. São países vizinhos e seus jogadores tem estilo técnico e físico bem semelhante. Não à toa, o famoso Mazembe cedeu 5 jogadores a cada seleção, praticamente seu time inteiro.

A maior e mais gratificante surpresa da primeira rodada foi o futebol mostrado pela Etiópia, temperado pela sua animadíssima torcida. Não acredito que possam ir longe, mas darão trabalho e seus jogos serão movimentados, pois buscam o ataque incessantemente. Destaque técnico por conta do meia Adane (erradamente narrado como Girma*). Aos 27 anos e carreira toda feita no país natal, o forte e elegante meia joga de cabeça erguida, protege e domina a bola com categoria e tranquilidade, erra poucos passes, acerta lançamentos longos e chega com força no ataque para finalizar. Um novo Zidane? Claro que não, mas valeu a pena vê-lo jogando.

* Na Etiópia, as pessoas são conhecidas pelo primeiro nome, uma vez que o segundo não é sobrenome familiar, mas sim o nome do pai.

Sistemas táticos:
4-2-3-1: ANG, MAR, COD, GHA, MLI, ZAM, CIV
4-4-2: RSA, ETH, BFA, NGA
4-3-3: CPV, NIG 
4-3-2-1: TUN, ALG 
5-2-3: TOG


Notas dos jogos:
8: GHA 2x2 COD
7: CIV 2x1 TOG
6: ZAM 1x1 ETH
    NGA 1x1 BFA
5: MLI 1x0 NIG
    TUN 1x0 ALG 
3: ANG 0x0 MAR
2: RSA 0x0 CPV

média de notas: 5,25
média de gols: 1,63

Gol mais bonito: Youssef Msakni (TUN)
Craque da rodada: Yaya Touré (CIV)

Seleção da rodada (no 4-2-3-1):
Daouda (GHA), Eboué (CIV), Bamba (CIV), El Adoua (MAR) e K. Asamoah (GHA); Romão (TOG) e Yaya Toure (CIV);  Adane (ETH), S. Keita (MLI) e Msakni (TUN); Mbokani (CDO).

Destaques ainda para Mulumbu e Mputo (CDO), Mesbah, Lacen e Feghouli (ALG), Hintsa (ETHI), Tiené e Gervinho (CIV), Alain Traoré e Pitroipa (BFA), Musa e Mikel (NGA) e Badu (GHA).

Palpites para a segunda rodada:
RSA x ANG: 2-1
MAR x CPV: 1-0
GHA x MLI: 1-1
NIG x CDO: 1-4
ZAM x NGA: 2-1
BFA x ETH: 2-1
CIV x TUN: 1-0
ALG x TOG: 1-1


sexta-feira, janeiro 18, 2013

CAN 2013 - Copa das Nações da Africa: Palpitão

Sempre tive alguma ligação inexplicável com esse continente, iniciada com as supreendentes atuações da Argélia na copa do mundo de 82 e de Camarões nas de 82 e 90. Desde a primeira vez que a TV brasileira transmitiu a Copa das Nações da Africa, muito conhecida como CAN e agora como AFCON, procuro acompanhar de perto os jogos em todas as edições televisionadas ou transmitidas pela internet em canais estrangeiros. E, como bom fã de futebol, mesmo não sendo um especialista e tendo pouco estudado a atualidade das equipes, arrisco aqui meus prognósticos.

GRUPO A:
Africa do Sul entra com o peso de dona da casa para contrabalançar um time de qualidade duvidosa e desfalcado de seu jogador mais importante, Piennar, que abandonou a seleção. Angola traz um bom retrospecto nos amistosos dos ultimos 3 meses. Marrocos tem uma boa safra de jovens meias, mas que decepcionou muito na CAN 2012, e ainda perdeu muita qualidade com a aposentadoria internacional do capitão Kharja e o afastamento de Taraabt, destaque do QPR na Premier League. Cabo Verde é o novato da vez e mesmo senso uma incógnita e tendo supreendido Camarões nas eliminatórias, não deve ter força para ir adiante.

1º Africa do Sul
2° Marrocos
3º Angola
4º Cabo Verde

GRUPO B:
Ghana sempre é forte, mas sem dois de seus principais jogadors, Boateng (abandonou a seleção) e André Ayew (afastado por indisciplina), não conseguirá repetir o futebol mostrado na última Copa e tende a uma participação ainda mais discreta do que na CAN 2012. Mali tem a melhor geração de jogadores dos últimos 20 anos, pelo menos, e vem praticamente completo. Níger é um dos países com menos expressão no futebol africano, mas surpreende com duas participações consecutivas na CAN. Contudo, tem muito pouca qualidade. Ao contrário, a Rep. Dem. do Congo tem tradição de título, futebol técnico e rápido e um elenco com vários bons jogadores. Se a greve por premiações ocorrida às vésperas da CAN não atrapalhar, é um bom candidato a azarão, tal qual foi o seu multicampeão Mazembe no Mundial de Clubes de 2010.

1º Mali
2º DR Congo
3º Ghana
4º Niger

GRUPO C:
Zâmbia é atual campeã porque teve competência, bom futebol e tudo conspirando a seu favor. Mas se um raio nao cai duas vezes no mesmo lugar e a classificação foi ganha nos pênaltis contra a fraca Uganda, é fato que os Chipolopolo tem um elenco forte e ainda melhor do que o de 2012. Nigéria não é sombra daquela força vista nas copas do mundo, com um time muito renovado e alguns poucos veteranos conhecidos, mas não desconsideraria uma boa campanha. Burkina Fasso mostrou alguma qualidade em 2012, mas ficou fora na primeira fase. O time atual é praticamente o mesmo, e pode engrossar contra os Nigerianos. A Etiópia é fundadora da CAF e fez sucesso nos anos 50 e 60, mas chegou meio por acaso na CAN e deve ter ainda menos qualidade que o vizinho Sudão, que esteve em algumas edições anteriores. Acho que perdem a três partidas.

1º Zâmbia
2° Nigéria
3° Burkina Faso
4º Etiópia

GRUPO D:
A Costa do Marfim vem com força máxima e determinada a, em sua última tentativa, conseguir um título à sua mais expressiva geração de jogadores. É, de longe, a grande favorita do grupo e da própria competição, o restante do grupo poderá ficar bastante embolado e, quem sabe, até mesmo atrapalhar os Elefantes. Argélia vem renovada após seus mais experientes jogadores terem desistido da seleção e é uma incógnita. Tunísia sempre mostra alguma qualidade técnica e organização tática e Togo aposta suas fichas no craque Adebayor.

1° Costa do Marfim
2° Tunísia
3° Argélia
4° Togo


PLAY-OFFS:

AFRICA DO SUL x D.R. CONGO
COSTA DO MARFIM x NIGERIA
ZÂMBIA x TUNISIA
MALI x MARROCOS

AFRICA DO SUL x COSTA DO MARFIM
ZAMBIA x MALI

COSTA DO MARFIM x MALI

Campeão: COSTA DO MARFIM

Na falta das minhas seleções preferidas, Egito e Senegal, torço pelo bi de Zâmbia, pela consagração de uma geração espetacular de Costa do Marfim ou pelos donos da casa, a Nação Arco-Iris de Nelson Mandela. N'kosi sikelele iAfrica....